terça-feira, 29 de janeiro de 2013



Entre uma postagem e outra.... uma visita à página do Territórios do Brincar... O que seriam dos brinquedos e brincadeiras do mundo todo sem a comunicação oral?


As mãos que fazem os meninos



Territórios do Brincar

História oral: patrimônio do passado e espírito do futuro


A seguir alguns trechos retirados do texto História oral: patrimônio do passado e espírito do futuro, do professor de pesquisa em Sociologia da Universidade de Essex, Paul Thompson. Este texto também está
no livro História Falada.

",,, se voltarmos às sociedades mais antigas, aquelas anteriores à escrita e a imprensa, é claro , seus todo o conhecimento era transmitido de forma oral, incluindo habilidades cotidianas, trabalho, culinária, bem como genealogia, história familiar, história oficial e literatura. Apenas como exemplo, vejamos Homero: antes de serem escritos seus famosos poemas foram transmitidos durante 600 anos somente no "boca-a-boca"."

Em tempos de mídia eletrônica, de mensagens via email e redes sociais muitos se esquecem da impportância da comunicação oral. Nem tudo está no Facebook, ou melhor muito pouco da história de vida das pessoas está nas redes sociais. Por conta da quantidade de "informações" que passam diante dos nossos olhos, nos iludimos, achamos falsamente que temos acesso a tudo e tod@s as histórias de vida.


"Mas acho realmente importante lembrarmos que as formas de comunicação oral sobreviveram durante aquela época. Sobreviveram e ainda sobrevivem porque existem muitos papéis sociais importantes a serem cumpridos pelo oral."

E os sentimentos individuais...

Trabalhamos com seres humanos...

Trabalhamos com as linguagens artísticas...

"Na verdade , a expressão dos sentimentos sempre foi mais poderosa quando falada do que quando escrita."

"Sem a memória pessoal não podemos viver, não podemos ser seres humanos."




Mudança Social



"Articular pessoas por meio da produção e conhecimento de suas experiências é fundamental para romper o isolamento de alguns grupos sociais e impulsionar processos de mudança das relações sociais, políticas e econômicas. Ouvir o outro é o primeiro passo para respeitá-lo. Além disso, acreditamos que a pessoa, a comunidade, o grupo que conta a sua história percebe a dimensão do que realizou e reafirma sua capacidade de decidir e participar." Karen Worcman



Não faz parte da nossa meta a mudança social, mas é claro que as nossas oficinas podem dar uma pequena contribuição neste sentido. Temos inúmeros exemplos em oficinas espalhadas pela cidade.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

História Falada... continuação...


Este blog tem como primeiro objetivo servir de espaço de anotações, trechos de livros, links relacionados à área de Patrimônio Cultural e a sua relação com Memória e Identidades.




Abaixo seguem algumas anotações retiradas do livro História Falada: memória, rede e mudança social. Escolhi iniciar os apontamentos por este livro porque traz relatos importantes sobre trabalhos realizados em torno da memória, em especial  o do projeto Museu da Pessoa. Todas as anotações estarão presentes aqui pelo diálogo que estabelece com o trabalho que estou realizando no momento na Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, dentro do Arena da Cultura - Formação e Criação Artística e Cultural. Na medida do possível irei comentar os trechos retirados dos livros.



"Longe de desprezar as fontes tradicionais de registro e de pesquisa como livros e documentos, procurou-se valorizar a história viva, contada por pessoas comuns, em grande parte negligenciada, apagada, esquecida, mal compreendida ou mal interpretada, já que muitas vezes estabelecida segundo interesses alheios ao do narrador.
Assim, temas como vida social e afetiva, trabalho, formas de organização e sociabilidade, crenças e religiões, festas, transformações urbanas, limites superados ou não longo do tempo são abordados pelo sujeito da ação, por quem a presenciou ou foi atingido por ela"

Miranda, Danilo Santos. História Falada: memória, rede e mudança social. São Paulo: SESC 2006.

Principalmente nas oficinas que realizamos com adultos e idosos a história de vida das pessoas tem sido uma constante. Não temos um projeto para o registro completo destas histórias. As histórias de vida das pessoas   são o ponto de partida para a criação artística, afinal de contas o nosso objeto de trabalho é a formação e a criação artística.




Uma leitura a ser feita...

MEMÓRIA E CULTURA
A importância da memória na formação cultural humana

DANILO SANTOS DE MIRANDA (org.)








Continuando....



"O que é história oral? É um método? Uma disciplina? Um tema novo? Na minha opinião é uma abordagem muito mais ampla, é a interpretação da história, das sociedades e das culturas por meio da escuta e do registro da história de vida das pessoas. E a habilidade fundamental na história oral é aprender a escutar." Paul Thompson


O nosso grande desafio tem o sido o de incorporar a escuta em todas as nossas oficinas. A maioria do professores da equipe de Patrimônio têm feito isso, mas ainda é necessário lembrar alguns que a escuta é fundamental na condução dos nossos trabalhos.

"Se pudéssemos fazer circular as nossas histórias, de forma não centralizada, talvez traríamos de volta a memória ao nosso cotidiano, recuperando o papel dos griots - os antigos guardiões e contadores de histórias nos povos africanos. Já disseram que cada ser humano é uma biblioteca, fonte singular de conhecimento. Saber ouvir cada um, compondo as diferentes visões, revela-se assim um exercício básico de  cidadania - parte essencial da aprendizagem e desenvolvimento humano. Pg 10 Karen Worcman

Como podemos fazer com que as histórias que têm aparecido nas nossas oficinas possam circular pela cidade de Belo Horizonte?