patrimônio e poesia
Poesia e Patrimônio
segunda-feira, 6 de abril de 2015
segunda-feira, 30 de março de 2015
segunda-feira, 24 de março de 2014
A Serra do Rola Moça
O desenvolvimento de uma política nacional para o Patrimônio Cultural tem uma relação muito próxima com a poesia. Vários são os nomes de poetas que têm em sua obra uma relação com o Patrimônio Cultural brasileiro. O nome mais importante é Mario de Andrade, mas temos ainda Oswald de Andrade, Carlos Drumond de Andrade, Wally Salomão, Gilberto Gil, Manuel Bandeira, etc....
Segue abaixo um poema que é uma referência importante para os moradores da região do Barreiro em Belo Horizonte e que aparece com frequência nas oficinas da Helena Lima, professora do Arena da Cultura. O Patrimônio, na maioria das vezes é pensado/reconhecido a partir dos grandes monumentos, dos prédios históricos e das cidades históricas. No Arena da cultura desenvolvemos uma proposta que pensa e desenvolve atividades ligadas ao patrimônio, a partir do cotidiano das pessoas.
Mário de Andrade
A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...
Eles eram do outro lado,
Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.
Vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
O noivo com a noiva dele
Cada qual no seu cavalo.
Antes que chegasse a noite
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
E se puserem de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.
Se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
E se puserem de novo
Pelos atalhos da serra
Cada qual no seu cavalo.
Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
Ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.
Na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
Ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.
A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não.
Não tinha esse nome não.
As tribos rubras da tarde
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões,
Temendo a noite que vinha.
Rapidamente fugiam
E apressadas se escondiam
Lá embaixo nos socavões,
Temendo a noite que vinha.
Porém os dois continuavam
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os risos também casavam
Com as risadas dos cascalhos,
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.
Cada qual no seu cavalo,
E riam. Como eles riam!
E os risos também casavam
Com as risadas dos cascalhos,
Que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.
Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.
Faz um silêncio de morte,
Na altura tudo era paz ...
Chicoteado o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro
O noivo se despenhou.
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
Precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.
Faz um silêncio de morte,
Na altura tudo era paz ...
Chicoteado o seu cavalo,
No vão do despenhadeiro
O noivo se despenhou.
E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.
Rola-Moça se chamou.
sábado, 15 de março de 2014
limites e fronteiras
aqui coloco os meus limites.
me imponho pelo que não sei.
a minha fronteira vai além da ignorância e aquém do meu saber.
o meu espaço é etéreo, o meu muro uma ilusão.
jogo fora diariamente pilhas e mais pilhas de bulas me dizendo o tempo certo do fazer.
jogo fora bulas e mais bulas me apontando a direção do sol.
aqui dentro o meu centro.
semente de coentro que como junto com os baianos meus conterrâneos e com os indianos espalhados pelo mundo.
aqui fora o meu pensamento.
semente jogada ao vento.
às vezes estou no dentro sonhando com o fora.
tem dias que estou fora sonhando com o dentro.
sou periferia de mim mesmo e centro do universo.
meu registro de nascimento é periferia ou centro?
o meu diploma, o meu paladar, os meus amigos, a minha poesia, o meu erro de cálculo, o meu cálculo renal, minhas intempéries, minhas noites de amor, o meu mau humor, eu bêbado gritando pra lua, o meu discurso incerto, o meu, o meu, o meu...
está no centro ou na periferia?
proponho-lhes um jogo...
o olhar para aquilo que se pode ouvir. o ouvir para aquilo que se pode sentir. o tato para aquilo que se pode comer. comer aquilo que se pode olhar.
um arnaldo me disse:
o seu olhar
melhora o meu
uma lucia que também é casa nova sussurrou-me por entre a fresta:
devorei-te somente no tempo
para não devorar-te no espaço
saio em desalinho pelos caminhos mais incertos
sigo em direção oeste e sei que vou bater no mar
vou para o leste e sei que vou bater no mar
quem disse que estamos no sul?
quem disse que somos ocidente?
quem convencionou o nascimento dos pássaros
quem ovacionou aquilo que veio de dentro da floresta?
a minha fronteira vai além da ignorância e aquém do meu saber.
o meu espaço é etéreo, o meu muro uma ilusão.
jogo fora diariamente pilhas e mais pilhas de bulas me dizendo o tempo certo do fazer.
jogo fora bulas e mais bulas me apontando a direção do sol.
aqui dentro o meu centro.
semente de coentro que como junto com os baianos meus conterrâneos e com os indianos espalhados pelo mundo.
aqui fora o meu pensamento.
semente jogada ao vento.
às vezes estou no dentro sonhando com o fora.
tem dias que estou fora sonhando com o dentro.
sou periferia de mim mesmo e centro do universo.
meu registro de nascimento é periferia ou centro?
o meu diploma, o meu paladar, os meus amigos, a minha poesia, o meu erro de cálculo, o meu cálculo renal, minhas intempéries, minhas noites de amor, o meu mau humor, eu bêbado gritando pra lua, o meu discurso incerto, o meu, o meu, o meu...
está no centro ou na periferia?
proponho-lhes um jogo...
o olhar para aquilo que se pode ouvir. o ouvir para aquilo que se pode sentir. o tato para aquilo que se pode comer. comer aquilo que se pode olhar.
um arnaldo me disse:
o seu olhar
melhora o meu
uma lucia que também é casa nova sussurrou-me por entre a fresta:
devorei-te somente no tempo
para não devorar-te no espaço
saio em desalinho pelos caminhos mais incertos
sigo em direção oeste e sei que vou bater no mar
vou para o leste e sei que vou bater no mar
quem disse que estamos no sul?
quem disse que somos ocidente?
quem convencionou o nascimento dos pássaros
quem ovacionou aquilo que veio de dentro da floresta?
sexta-feira, 14 de março de 2014
verdades
as verdades da minha cabeça
sim
lanças do futuro
pão do dia-a-dia
minhas verdades verdadeiras
mutáveis
mutiláveis
minhas verdades
podres vaidades
minhas verdades
grandes verdades
grades do futuro
minhas verdades que me sustentam
cachorro de sete cabeças
minhas verdades
coerência
toldo a aparar as chuvas
carência pra espalhar
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
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