segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
preto, branco e azul também
Na primeira metade dos anos 80, um grupo de poetas foi às praças e parques da cidade de São Paulo para apresentar performances que tinham como ponto de partida a poesia. A poesia de autores nacionais já publicados, alguns consagrados e outros não, e também a sua produção. Poemas que dialogavam com o cotidiano dos jovens do grupo e também com o momento brasileiro, transição entre a ditadura e a democracia. O nome do grupo era "preto, branco e azul também" e entre os poetas do grupo estavam Moacir de Oliveira, Gilzete Marçal, Gabriel Rodrigues, Ailtom Gobira (eu), Pedro Porta, Cíntia Corrales e Henrique Gobira. Abaixo uma foto de uma apresentação que aconteceu (provavelmente) no Parque do Carmo, na Zona Leste de São Paulo.
O Gabriel Rodrigues escreveu um texto sobre o momento da formação do preto, branco e azul também, A relação com sua vida pessoal e o momento histórico do país. O texto foi publicado no Museu da Pessoa.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Farfalhar
extrema-se entremear-se o farfalhar agulhas, dispostas
entrecortadas na areia da praia branca, reluzindo numa lata brahma. deus
sabendo dos dias contados no paraíso dos homens. mais alegria por favor.
despejem o tédio no poço da loucura e arrecadem temas livres e indefinidos
finitos e ponham no caldeirão quente da magia eterna, enterrem meu coração
paulistano na bahia, que to com saudades. nada menos nada pois uma palavra,
escorpião encravado em si mesmo, cimentando todos os desejos, os fatos. dizendo
o sempre cotidiano farfalhar algures, passado terremoto morto na insistente questão: carnaval ou escolas públicas? eu prefiro piscinas
públicas com água limpa. num tem? bença mãe. to com saudades, palavra besta. onde
estão as frutas do domingo? perdeu-se macarrão, batatas e laranja bahia? pra que tentar ser o protagonista da
tragédia humana? ser bacana sim, mas bem
pago que de graça não trabalho mais. encoste a câmera no meu olho, plano
detalhe, entalhe minha testa monolítica monalisa, penetre câmera, saltando
pulos vagarosos. desterre meus olhos do lago da saudade. papo careta, punheta
vocês todos precisam. preciso meu punhal sobre a carne quente rasgando. todas
as palavras bestas, quotidianamente transmudando-se em lição de casa. adeus
palavra besta.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
barricadas
barricadas armadas por todos os lados
e um único desejo prenúncia o dilúvio
(a palavra encarcerada em chorosas melodias depois das métricas)
mas, foram para a rua alguns desbocados
armaram ciladas silenciosas contra as silabas
enquanto outros sibilavam por detrás das pedras.
-
quer experimentar uma rima?
-
perdeu-se de tanto repartir-se.
a fragmentação assusta-se consigo mesma
e quer uma volta concreta
-
por onde começar?
-
cacos dispersos e uma série de inválidos escritos
o resto, ecos de um tempo que passou
-
e se passou, passou
retorno-eterno-interno para não envelhecer já foi
o curso normal dinamitado
-
irreversível?
-
não
-
que tal ir pra montanha? Praia?
-
paliativos
o alicerce é forte e pouco resta, pouco presta.
caótico ditando cores
mitos contemporâneos refazendo as contradições humanas.
enquanto tem tempo, tempo tem.
tenta reconciliar fraquezas agudas,
anêmicas
polêmicas, porém frias
titias com chá e bolo de fubá enquanto o apocalipse não vem.
a carochinha prevalece
a carrocinha leva o meu cachorro.
-
socorro
-
socorro.
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