Retorno ao livro a História Falada, e trago abaixo uma pequena reflexão sobre a importância da oralidade.

Na construção da história de uma cidade, de um estado, de uma nação, não temos o ponto de vista de todos os envolvidos no processo, nem o ponto de vista escrito, nem o ponto de vista passado através das imagens.
Heloisa Pires no texto o "A vista que se abre", traz o seguinte comentário:
Dos livros que você já leu na vida, poucos são de autores negros ou indígenas. Como todos os livros que lemos são pontos de vista, o ponto de vista negro, ou indígena ainda não está presente na estrutura formal, na literatura escrita. Já na literatura oral, talvez tenhamos mais tecnologia, enquanto negro ou indígena, quanto às formas de comunicar e guardar uma memória.
Acrescento ainda que, as imagens que você já viu na vida, em forma de fotografia, vídeo, na televisão ou cinema, poucos, mas muito poucos são de artistas negros ou indígenas.
Na minhas andanças por Belo Horizonte, tenho encontrado mulheres e homens que construíram a cidade e uma sociedade que chamamos de belo horizontina, a maioria dessa pessoas que encontro, seja nos espaços dos BH Cidadania ou Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, tem pouca ou nenhuma escolaridade, boa parte tem vergonha da história de suas vidas, do sofrimento que passaram. Embora tenham muitas histórias para contar, não acham que suas histórias são importantes. São negros, descendentes de índios, mas acima de tudo tiveram uma vida marcada pela pobreza e em boa parte das suas vidas, pela falta de acesso aos bens públicos da cidade. O nosso desafio é organizar este mosaico de histórias e achar maneiras de expor estes cacos de histórias, sem perder o contexto e sem atropelar os desejos e a fala dessas pessoas.
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