sábado, 15 de março de 2014

limites e fronteiras


aqui coloco os meus limites.

me imponho pelo que não sei.

a minha fronteira vai além da ignorância e aquém do meu saber.

o meu espaço é etéreo, o meu muro uma ilusão.

jogo fora diariamente pilhas e mais pilhas de bulas me dizendo o tempo certo do fazer.

jogo fora bulas e mais bulas me apontando a direção do sol.

aqui dentro o meu centro.

semente de coentro que como junto com os baianos meus conterrâneos e com os indianos espalhados pelo mundo.

aqui fora o meu pensamento.

semente jogada ao vento.

às vezes estou no dentro sonhando com o fora.

tem dias que estou fora sonhando com o dentro.

sou periferia de mim mesmo e centro do universo.

meu registro de nascimento é periferia ou centro?

o meu diploma, o meu paladar, os meus amigos, a minha poesia, o meu erro de cálculo, o meu cálculo renal, minhas intempéries, minhas noites de amor, o meu mau humor, eu bêbado gritando pra lua, o meu discurso incerto, o meu, o meu, o meu...

está no centro ou na periferia?

proponho-lhes um jogo...

o olhar para aquilo que se pode ouvir. o ouvir para aquilo que se pode sentir. o tato para aquilo que se pode comer. comer aquilo que se pode olhar.

um arnaldo me disse:

o seu olhar
melhora o meu


uma lucia que também é casa nova sussurrou-me por entre a fresta:

devorei-te somente no tempo
para não devorar-te no espaço


saio em desalinho pelos caminhos mais incertos

sigo em direção oeste e sei que vou bater no mar

vou para o leste e sei que vou bater no mar

quem disse que estamos no sul?

quem disse que somos ocidente?

quem convencionou o nascimento dos pássaros

quem ovacionou aquilo que veio de dentro da floresta?

2 comentários:

  1. A nossa viagem é mesmo sem destino. Valeu, Gobira.

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    1. Obrigado pela visita Walmir. Este poema escrevi nos tempos em que trabalhei na UFOP. reflexões sobre a suposta centralidade do conhecimento da universidade. Abração

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